No dia 29 de setembro, produtores rurais do Sistema Cantareira se reuniram em Nazaré Paulista para aprender sobre “Qualidade e Boas Práticas para Produtores Agroindustriais”. O curso foi promovido pelo Programa Semeando Água, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental – estabelecida por meio de convênio entre as duas instituições. Ministrado pela pesquisadora Ana Lúcia Penteado, da Embrapa Meio Ambiente, o treinamento abordou procedimentos de segurança dos alimentos e boas práticas de fabricação aplicáveis à rotina de pequenas agroindústrias rurais.

Foto: M.Vicente- Embrapa
A formação integra o projeto “Bioeconomia: da conservação à agregação de valor aos frutos da palmeira juçara no Sistema Cantareira”. A iniciativa que envolve três Unidades da Embrapa, o IPÊ, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Companhia dos Fermentados e o Instituto Nacional de Tecnologia.
Ao priorizar a coleta dos frutos, em vez do corte da palmeira para a retirada do palmito, a atividade contribui para manter a vegetação em pé e ampliar as possibilidades de geração de renda a partir de uma floresta conservada. A manutenção da cobertura vegetal também favorece a infiltração da água no solo e ajuda a proteger nascentes e cursos d’água.
“Toda atividade econômica conservacionista desenvolvida neste território contribui diretamente para a proteção dos recursos hídricos. Nosso compromisso é garantir que não falte água para milhões de pessoas que dependem do Cantareira”, explica Andréa Puppo, coordenadora de Educação Ambiental Climática do Programa Semeando Água.
Boas Práticas
A formação abordou orientações sobre o Manual de Boas Práticas e os Procedimentos Operacionais Padronizados (POP), instrumentos que organizam e registram procedimentos necessários para garantir condições adequadas de higiene e segurança durante a produção.
Os produtores receberam orientações sobre prevenção de perigos químicos, físicos e biológicos, microrganismos patogênicos, higiene e saúde dos trabalhadores, além de cuidados na manipulação, preparo, armazenamento e transporte dos alimentos. Também foram abordados o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, o controle de pragas, a adequação das instalações e o manejo de resíduos.
A iniciativa atende a uma demanda do projeto, que reúne agricultores que processam e comercializam alimentos produzidos nas propriedades. Para esses produtores, agregar valor à produção envolve ainda aprimorar os processos de fabricação e garantir produtos seguros e de qualidade.
Thais Alvarenga e Milton Roberto Diniz, produtores de banana de São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (SP), explicam que esses cursos são importantes porque sempre há algo novo para aprender. “É uma oportunidade de reciclar o conhecimento, se atualizar e melhorar aquilo que já fazemos no dia a dia. Quanto mais informação tivermos, melhor conseguimos trabalhar e aprimorar a produção dos alimentos”.
Produção e segurança hídrica
O projeto busca ampliar o aproveitamento sustentável dos frutos da juçara (Euterpe edulis), espécie nativa da Mata Atlântica, criando alternativas de geração de renda associadas à conservação da espécie e à recuperação ambiental no Sistema Cantareira.
A palmeira juçara possui um único tronco e não rebrota após a retirada do palmito, o que leva à morte da planta. O aproveitamento dos frutos permite manter a planta em pé e obter novas produções ao longo dos anos, unindo a conservação da floresta à geração de renda.
“Depois dos treinamentos sobre manejo da palmeira e extração da polpa para produtos como sorvetes, os agricultores passaram a receber orientações sobre boas práticas de fabricação e segurança dos alimentos. A juçara oferece uma cadeia produtiva incrível: é sustentável, ajuda a conservar a Mata Atlântica e gera renda para a população local.” explica Pupo.
Além da polpa, consumida de forma semelhante ao açaí, as pesquisas avaliam o uso dos frutos para a produção de óleo vegetal, farinha, vinagre, bebidas fermentadas e polpa em pó. O trabalho inclui formações em coleta, despolpamento, processamento e rotulagem, além do desenvolvimento de alternativas de comercialização.