No dia 5 de março o Programa Semeando Água realizou o primeiro módulo do curso “Manejo Produtivo da Palmeira Juçara”. A Juçara é uma espécie nativa da Mata Atlântica classificada como ameaçada de extinção, importante para a manutenção de ecossistemas e ainda apresenta possibilidades de geração de renda. 26 agricultores participaram da formação, que aconteceu na sede do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.   

A formação foi ministrada pelo instrutor Pedro Procopio, integrante da COOPERE, cooperativa dos coletores de sementes do Vale do Paraíba. O primeiro módulo do curso foi dedicado a coleta dos frutos. Pedro iniciou as atividades já de forma prática, demonstrando dois métodos que utiliza em seu cotidiano. Uma das opções é a utilização da peconha, que consiste em um laço encaixado nos pés para facilitar a subida na palmeira. Pedro também mostrou um instrumento de metal desenvolvido por coletores que facilita o encaixe dos pés.   

O instrutor ressaltou que a coleta deve ser sempre realizada em duplas, a fim de garantir a segurança dos coletores, especialmente quando a atividade é realizada em áreas de mata. Outra medida de segurança é a utilização de cadeira de escalada e capacete. Os participantes puderam testar suas habilidades escalando as palmeiras presentes no local.  

Na parte da tarde os participantes puderam tirar suas dúvidas junto a apresentação teórica. O instrutor abordou aspectos ecológicos, nutricionais e econômicos do fruto, gerando um espaço de troca de experiência entre os presentes.  

  

Palmito x fruto  

No Sudeste o fruto da palmeira juçara ainda é pouco conhecido e consumido. Essa é uma espécie importantíssima para a conservação da biodiversidade na Mata Atlântica, já que serve de alimento para diversos animais. A coleta extrativista do palmito foi uma das causas de sua drástica redução.  

A juçara é mais conhecida na região pela extração do palmito. No entanto, seus frutos podem ser utilizados para a produção de polpa que apresenta semelhança ao açaí. Enquanto na coleta do palmito a árvore é derrubada, podendo ser colhido uma única vez, os frutos da juçara podem ser colhidos todos os anos.   

No caso de coletas extrativistas, onde o fruto é retirado da mata, a recomendação é deixar cerca de trinta por cento, para manutenção da produção. Os animais que se alimentam da juçara também atuam como dispersores de sementes. A juçara é um fruto delicado que possui um intervalo de 12 horas entre coleta e beneficiamento. Sua polpa pode ser utilizada como base para sucos e sorvetes. Tanto o armazenamento quanto o transporte da polpa necessitam de refrigeração. No entanto, é um fruto que está muito mais próximo dos centros consumidores do Sudeste do que o açaí, trazido da região norte.  

  

Açaí x Juçara  

Pedro explica a diferença entre as espécies e porque é preciso estar atento ao distanciamento mínimo de 300 metros entre as culturas.   

“O açaí é uma planta que perfila, ou seja, dá origem há muitas palmeiras a partir de uma única semente e sua produção é alta. Quando o açaí é plantado próximo a uma juçara o cruzamento entre as espécies gera um fruto híbrido que resulta em semente estéreis. As novas plantas não vão frutificar, não vão alimentar a fauna. Isso é um problema para uma espécie que já está ameaçada e da qual diversos animais dependem como alimento. Você não pode colher quando elas estão próximas. Então é importante retirar o açaí ou plantar muito distante das juçaras.”  

O Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Juçara, criado pela Fundação Florestal é uma Política Pública que tem como objetivo ampliar a quantidade de palmeiras dentro de imóveis rurais inseridos nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável. O programa remunera agricultores familiares e remanescentes de quilombolas que realizam o plantio e maneja da espécie ao longo de cinco anos.   

 

 

Venda de sementes e frutos  

O processo de beneficiamento é realizado através do despolpamento, ou seja, a separação entre polpa e sementes. Esse processo tem como subproduto as sementes, que podem ser vendidas para viveiros ou utilizadas para a produção de mudas, outra possibilidade de geração de renda para os coletores.  

O segundo módulo do curso promovido pelo Programa Semeando Água, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental – estabelecida por meio de convênio entre as duas instituições, acontecerá no dia 07 de maio e terá como tema o beneficiamento do fruto. A seleção da data está alinhada a disponibilidade de frutos maduros para a coleta.   

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