No dia 17 de março, o Programa Semeando Água, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental – estabelecida por meio de convênio entre as duas instituições, realizou uma oficina no Conservador das Águas, em Extrema (MG), reunindo quatro instituições para a definição de traçados de corredores ecológicos na região sul de Minas Gerais. É nessa área que nascem os rios Jaguari e Jacareí, responsáveis por 66,7% da água que abastece o Sistema Cantareira. 

Participaram da oficina representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Itapeva, do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Agroflorestal Mantiqueira. Os atores integram a Unidade Coordenadora de Execução (UCE) Cantareira dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. 

Os participantes puderam testar uma ferramenta em desenvolvimento que busca integrar o potencial das geotecnologias a um processo participativo de planejamento, aproximando as análises socioambientais do conhecimento de quem vive e trabalha nos territórios. Essa união tem o potencial de tornar o traçado dos corredores ecológicos mais coerente com as necessidades e realidades locais. 

A criação de corredores ecológicos é uma estratégia para conectar áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. Essa conexão é essencial porque a floresta depende da ligação entre seus fragmentos para se manter de pé. As florestas são ecossistemas compostos por uma ampla variedade de plantas e animais que necessitam de fluxos genéticos constantes para prosperar e sobreviver. Essas trocas ocorrem de diversas formas, como por meio da dispersão de sementes — seja pelo vento ou pelo deslocamento de animais. 

 

Metodologia participativa e inovação tecnológica 

A dinâmica da oficina foi elaborada por Henrique Shirai como parte de sua tese de doutorado na Universidade da Flórida. A partir de uma consulta prévia com os participantes, Shirai preparou as informações mais relevantes para o traçado dos corredores. O pesquisador selecionou bases de dados georreferenciadas, que são aplicadas como camadas de análise dos mapas. Durante a oficina, os participantes definiram pesos para cada um dos critérios, discutindo coletivamente o que é mais importante priorizar no traçado dos corredores. Entre os critérios estão: remanescentes de floresta nativa, distância de rodovias, áreas prioritárias para a recarga hídrica, uso do solo e tamanho das propriedades rurais. 

Shirai explica que a metodologia surgiu da constatação de que decisões de conservação baseadas apenas em análises técnicas tendem a ignorar prioridades e conhecimentos locais, reduzindo a adesão e a eficácia na implementação dos corredores ecológicos. 

Análises espaciais robustas, apoiadas em bases científicas, são fundamentais para o planejamento de ações de conservação eficientes. Tecnologias como os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) podem oferecer aos tomadores de decisão uma perspectiva abrangente sobre as estratégias de conservação e os benefícios ambientais associados. Essa perspectiva se torna ainda mais potente quando incorpora visões locais em sua concepção. 

“Ao considerarmos demandas e aspectos culturais locais, geramos também respostas mais realistas e sustentáveis, ou seja, mais adequadas ao contexto territorial e com maior aderência e engajamento comunitário”, compartilha Shirai. 

Para isso, o pesquisador desenvolve uma ferramenta capaz de realizar análises espaciais ágeis e acessíveis, permitindo que públicos diversos se sintam parte do planejamento. A ferramenta possibilita que os participantes da oficina definam critérios e pesos de forma interativa e visualizem, em tempo real, cenários de priorização de áreas para conservação e restauração. A metodologia estimula a discussão e o ajuste de parâmetros, refinando coletivamente o processo decisório. 

“Na minha pesquisa de doutorado, estou avaliando a usabilidade dessa ferramenta, seu impacto na percepção de pertencimento ao processo de tomada de decisão e as características que influenciam sua efetividade como ferramenta interativa para conservação. Os resultados auxiliam na orientação do aprimoramento de ferramentas participativas e no aumento das probabilidades de sucesso no planejamento e implementação de projetos de conservação”, afirma o pesquisador. 

A iniciativa é um exemplo de ciência cidadã: uma pesquisa que apoia a tomada de decisões nos territórios e envolve as pessoas no aperfeiçoamento de ferramentas, unindo esforços em prol da conservação da biodiversidade. 

 

Conectar as pessoas é o primeiro passo para conectar as florestas 

Um ponto importante destacado pelos participantes foi a oportunidade de reunir instituições de diferentes municípios, discutir os desafios locais e pensar em políticas públicas que possam apoiar o processo de implantação dos corredores ecológicos. Dois trechos prioritários foram selecionados para o aprofundamento dos estudos no próximo encontro da UCE Cantareira. 

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