O Programa Semeando Água já transformou 5 escolas públicas de Nazaré Paulista e uma em Paulínia em Escolas Climáticas. As Escolas Estaduais João de Moraes Goes e José Siqueira Bueno, em Piracaia, e Coronel João Ernesto Figueiredo, em Joanópolis, iniciaram suas atividades em fevereiro com a oficina Mural do Clima, durante o planejamento dos professores. O projeto Escolas Climáticas é fruto da parceria com o Instituto Alair Martins (IAMAR) e nasceu dentro do Programa Semeando Água, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental – estabelecida por meio de convênio entre as duas instituições 

92 professores participaram da oficina Mural do Clima, uma tecnologia social baseada nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A partir de um jogo de cartas, os participantes constroem coletivamente um mural que conecta as causas, mecanismos e consequências da crise climática, estimulando o debate crítico, a criatividade coletiva e o entendimento sistêmico do tema. Ao participar da oficina, os professores podem se tornar multiplicadores da metodologia, podendo aplicá-la em sala de aula. Essa é uma atividade de sensibilização, que tem como objetivo aprofundar a base científica dos educadores e engajar a comunidade escolar na conservação do Sistema Cantareira por meio da educação ambiental climática.   

O próximo passo é a criação de Coletivos Socioambientais, um grupo formado prioritariamente por estudantes, com apoio dos educadores Cada Coletivo passa por um processo de formação e recebe acesso à nova plataforma digital interativa, acompanhados pela equipe do Projeto Escolas Climáticas. São eles os responsáveis por eleger ações prioritárias para o enfrentamento dos desafios climáticos da escola e engajar a comunidade escolar em sua implantação.  

“O Projeto Escolas Climáticas oferece apoio técnico e financeiro às escolas, fortalecendo o protagonismo de jovens e da comunidade em temas relacionados às mudanças climáticas. Já no início, construímos uma identidade visual para cada Coletivo, como forma de reforçar o sentimento de pertencimento e engajamento. As iniciativas não chegam prontas: são construídas coletivamente, a partir da realidade, dos interesses e das necessidades de cada escola, garantindo que façam sentido e gerem impacto verdadeiro. Nosso objetivo é que as ações tenham a identidade deles.” explica Isabela Volpato, educadora ambiental do IPÊ. 

 

Escolas Climáticas implementadas foram base para a sistematização da metodologia 

 

Nas Escolas Climáticas de Nazaré Paulista foram criadas hortas agroecológicas, os resíduos orgânicos das escolas passam por processo de compostagem para a geração de adubo, foram construídas duas salas de aula ao ar livre com técnicas de bioconstrução e duas escolas implantaram Sistemas Agroflorestais. Esses são apenas alguns exemplos das ações desenvolvidas pelos Coletivos Socioambientais. 

“A crise hídrica não se resolve apenas com infraestrutura, mas com consciência e participação social. Ao formar os Coletivos Socioambientais, apoiar planos de ação climática, mobilizar a comunidade para compreender o seu território e fazer o uso sustentável da água, contribuímos diretamente para a segurança hídrica do Sistema Cantareira. As Escolas Climáticas são espaços de aprendizagem que conectam educação, ciência e ação concreta. Essa juventude, que hoje está na educação básica, já vive os impactos da crise climática e precisará liderar ações no futuro. Este Projeto promove o pensamento crítico, o desenvolvimento de habilidades e competências para mitigação e adaptação, além de fortalecer o protagonismo juvenil e a justiça climática.” explica Andrea Pupo, pesquisadora e coordenadora de projeto do IPÊ. 

Janaina Lopes, diretora da E.E. José Siqueira Bueno, conta que as atividades propostas pelas Escolas Climáticas já estão alinhadas as ações planejadas pela escola. “A escola está numa área rural, então os nossos alunos se interessam muito porque é a realidade deles, fica mais fácil para eles compreenderem. As professoras de Biologia e Ciências fazem caminhadas com os estudantes, para entender o meio em que estamos inseridos. Por ser um lugar que tem muita água, muita terra, as pessoas estão interessadas em projetos que trabalham questões de sustentabilidade.” 

A diretora compartilha que muitos alunos são filhos de agricultores e alguns já trabalham na área. A possibilidade de fornecer produtos de melhor qualidade, com maior valor agregado, vai de encontro à melhoria da qualidade de vida das famílias dos estudantes e da conservação da região. Janaína já participou de atividades de educação ambiental na Escola Clélia, localizada no bairro Cuiabá, em Nazaré Paulista. “Eu vi como o projeto movimentou a escola e como teve um sentido, transformando aquela comunidade. Aqui os estudantes não vão ter dificuldade para compreender e pôr a mão na massa, acho que vai ser bem prazeroso e produtivo.” 

Lucas Junho, professor de Física da E.E. Cel. João Ernesto Figueiredo, diz que na área de ciências da natureza o conteúdo das disciplinas já aborda o tema da sustentabilidade. Em sua pesquisa de mestrado Lucas está estudando educação ambiental para aplicação de ensino de matrizes. 

“É muito interessante parar para refletir como as coisas estão relacionadas e quais são as ações e as reações associadas a cada atividade, ver como é um ciclo que se fecha. Problemas como fome, de insegurança, refugiados climáticos são impactos diretos de ações humanas que formam um ciclo de crise climática. É bastante interessante trazer essa discussão para dentro da escola, pensando como um agente de formação de cidadãos. Se estamos passando por um momento de crise que precisa de mudança, temos que formar pessoas que estejam aptas a pensar a mudança.”  

O professor espera que o Projeto tenha como resultado o reconhecimento da importância de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e que a comunidade escolar possa trabalhar efetivamente e ativamente na contramão da destruição do meio ambiente.

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