Alunos visitaram cooperativas de reciclagem, Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e pontos de captação de água  

 

Na última semana, integrantes do Coletivo Socioambiental Mares de Morros, da Escola Estadual Cel. João Ernesto Figueiredo de Joanópolis – SP, realizaram uma visita técnica a três equipamentos essenciais da infraestrutura ambiental do município: a Cooprejoa, cooperativa de reciclagem, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e o sistema de captação de água no Ribeirão Correnteza. A atividade mostrou aos jovens a importância das políticas públicas de saneamento e resíduos sólidos e da compreensão dos desafios e funcionamento desses serviços no cotidiano da cidade.  

Os estudantes dos Coletivos Raízes Fortes e Bata, das Escolas Climáticas de Piracaia, realizarão trajeto semelhante essa semana, também promovido pelo Programa Semeando Água, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental – estabelecida por meio de convênio entre as duas instituições.  

A metodologia das Escolas Climáticas conta com sete eixos: Coleta Seletiva, Compostagem, Horta Agroecológica, Clima, Biodiversidade, Educomunicação e Paisagem. As visitas técnicas têm como objetivo aprofundar de forma prática e local as pautas abordadas no projeto, além de ajudar a realizar o diagnóstico do território. As oficinas, também realizadas nesse semestre, tem como objetivo de formar tecnicamente os jovens líderes. Além do conhecimento adquirido, o Coletivo tem como meta divulgar tudo aquilo que aprendeu de forma simples para toda a comunidade escolar. 

A visita foi guiada por Mbatuya Medina, Engenheira Agrônoma da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente (SAAMA) da prefeitura de Joanópolis. Mbatuya explica que “É muito importante conhecer o território, entender o funcionamento da água na cidade. Eles saberem de qual rio que vem a água, para onde vai o lixo que eles jogam, que a prefeitura faz a coleta. O mais importante é conhecer, porque quando a gente conhece a gente sabe cuidar.” 

As escolas já contam com uma horta agroecológica, que cresceu através da oficina temática e caixas-iscas para captura de abelhas nativas, frutos da oficina de Meliponicultura. Além disso, os estudantes participaram de rodas de conversa com especialistas do território para falar sobre paisagem, bioma, saneamento básico e clima. A próxima atividade será a oficina de Educomunicação e compostagem para aplicações práticas dentro da escola. 

 


Reciclagem que gera renda e reduz impacto 

A primeira parada foi na Cooprejoa, localizada no bairro dos Pintos. A cooperativa processa cerca de 20 toneladas de resíduos por mês. Durante a visita, os estudantes puderam acompanhar a triagem dos materiais e entender a importância do descarte correto para a viabilidade do trabalho. Após a separação dos materiais, alguns são prensados e vendidos de acordo com o preço do peso, que tem variações diárias. 

Claudemira de Campos, presidente da Cooprejoa, reforçou aos visitantes que a contribuição mais importante é não misturar o lixo orgânico ao resíduo reciclável, e passar essa mensagem a outras pessoas. Quando o resíduo reciclável não é separado de forma correta (e, de preferência, limpo) o trabalho das cooperadas tem riscos maiores e leva mais tempo, o que reduz os ganhos do trabalho da cooperativa.  

 

Tratamento de efluentes: do esgoto ao rio 

Na sequência, o grupo conheceu a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Joanópolis. O efluente tratado tem como destino o Rio Jacareí. Os visitantes puderam observar as etapas do processo e compreender a relevância do tratamento adequado para a preservação dos corpos d’água do Sistema Cantareira, da qual o município faz parte. 

Captação de água e a responsabilidade sobre a Cantareira 

A visita encerrou-se no sistema de captação de água, no Ribeirão Correnteza, principal rio que abastece a área urbana de Joanópolis. O município está integralmente inserido na área do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de mais de 7 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). 

Educação ambiental como ferramenta de transformação

B.A., do primeiro ano do Ensino Médio, conta que “não sabia de onde vinha a água de Joanópolis, nem para onde ia nosso lixo reciclável, nem sabia que existia a cooperativa”. Para o estudante foi muito bom conhecer os locais e aprender sobre as infraestruturas da cidade. L.M, também do primeiro ano, compartilha que que aprendeu muito sobre os percursos da água. “Teve bastante contato com a natureza, entendemos onde o esgoto da nossa cidade vai parar, onde a água é tratada, para onde ela vai, como ela vem para a nossa torneira. A gente também aprendeu sobre a reciclagem do lixo, como separar o lixo, que isso é muito importante e ajuda muito. Também aprendemos que eles recebem muito pouco pelo tanto de trabalho que fazem”

Para o Coletivo Mares de Morros, a experiência reforçou a necessidade de maior envolvimento da comunidade estudantil nas discussões sobre meio ambiente. A visita permitiu que os jovens vissem de perto que a gestão ambiental envolve pessoas, recursos, equipamentos e acordos que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Agora que os integrantes do coletivo ampliaram seus conhecimentos sobre as infraestruturas locais, o próximo passo é pensar como transformarão o espaço escolar em um local mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas.  

 

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